Usando fardas semelhantes às da PM, seis criminosos armados aterrorizaram tripulação e passageiros da linha Breves-Macapá em ação violenta que durou cerca de 50 minutos.
Uma viagem de rotina entre Breves (PA) e Macapá (AP) transformou-se em momentos de terror para cerca de 40 pessoas na madrugada, quando a embarcação Comandante Silva foi alvo de uma quadrilha de "piratas dos rios". A ação chamou atenção pela ousadia: os criminosos estavam "fortemente armados e vestidos como policiais militares".Abordagem e Violência Extrema
O crime ocorreu por volta das 4 horas da manhã, próximo à
localidade de Monte Tabor. Segundo relatos das vítimas, uma lancha
("voadeira") encostou na embarcação e os assaltantes, usando fardas
verdes similares às da Polícia Militar, iniciaram a abordagem.
O responsável pela embarcação foi um dos principais alvos da
violência. Ele conta que foi agredido com coronhadas na cabeça repetidas vezes,
resultando em muito sangue espalhado pelo barco. "Eu identifico um [deles]
porque na hora que ele estava me batendo na rede... saiu um pouco com a máscara
dele", relatou a vítima, que teve cerca de R$ 7.000 roubados.
A embarcação ficou à deriva durante a ação, chegando a
colidir com a vegetação na margem do rio ("bater no mato") e
encalhar.
Pânico entre Passageiros e Crianças
Durante os cerca de 40 a 50 minutos em que permaneceram a
bordo, os criminosos subjugaram passageiros e tripulantes, obrigando-os a
deitar no convés. Jas Souza, uma das passageiras, viajava com crianças de 6 e 8
anos e descreveu o desespero:
"Eles ficavam falando: 'Cadê o comandante? Se não achar
o comandante, a gente vai meter bala aqui' (...) Só a gente pedindo mesmo para
Deus misericórdia", desabafou Jas, relatando também agressões a um idoso
que, nervoso, demorou a entregar seus pertences.
As marcas de sangue ficaram visíveis em vários pontos do
navio, incluindo redes e camarotes, evidenciando a brutalidade do grupo.
Investigação Policial
O caso foi registrado na Superintendência de Polícia
Civil das Ilhas (Sudepol). Segundo a polícia, já existem elementos sobre a
dinâmica dos fatos e indícios da atuação de uma quadrilha especializada nesse
tipo de modus operandi na região de Breves e afluentes, similar a um
grupo que já havia sido preso anteriormente.
Até o fechamento da reportagem, nenhum suspeito havia sido
preso.
Fonte: Reportagem do canal Marlon TV
