Com a iminente chegada de órgãos como Ibama e ICMBio à região de Breves, cresce o temor pelo fechamento de pequenas serrarias de subsistência e a falta de alternativas de renda para o trabalhador local.
O arquipélago do Marajó, especificamente a região do Rio
Mapuá, em Breves, está em estado de alerta. A partir da próxima semana, uma
densa operação de fiscalização ambiental conduzida por órgãos federais, como o Ibama
e o ICMBio, deve atingir serrarias e áreas madeireiras da localidade.
Embora a preservação ambiental seja uma pauta global, como essas operações são conduzidas no coração da Amazônia levanta
debates acalorados sobre a sobrevivência das comunidades tradicionais e a falta
de suporte governamental para a transição econômica.
A Realidade do Rio Mapuá: Entre a Preservação e a Sobrevivência
O Rio Mapuá está localizado no distrito de São Miguel dos
Macacos, uma área de difícil acesso que exige cerca de 13 horas de viagem de
barco saindo da sede de Breves. O comunicador Marlon Nascimentto, em seu alerta, desafia ambientalistas a
encontrarem grandes áreas de desmatamento na região, defendendo que a retirada
de madeira no local é feita de forma artesanal pelo ribeirinho para o sustento
básico de sua família.
Diferente do que ocorre em outras regiões do Brasil, onde o
agronegócio devasta grandes hectares com maquinário pesado, no Mapuá a
atividade sustenta pequenos grupos familiares que dependem da serraria para
garantir o básico.
O Impasse da Fiscalização sem Alternativas
A principal crítica direcionada às autoridades é a falta de
um plano de contingência. O fechamento de uma serraria de subsistência sem a
oferta imediata de uma nova fonte de renda pode condenar milhares de pessoas à
miséria.
Agricultura como Solução? Embora o plantio de roças seja
apontado como alternativa, o processo de preparação da terra e colheita leva de
seis a sete meses — um período em que a família ficaria sem qualquer recurso
financeiro.
Gestão Pública sob Crítica: O debate aponta para a
discrepância nos investimentos municipais. Em Breves, enquanto o gabinete da
prefeitura recebeu aportes milionários, a Secretaria de Agricultura conta com
recursos considerados irrisórios para atender à demanda rural.
Mobilização Social e Política no Marajó
Diante do cenário preocupante, lideranças locais e a
sociedade civil começam a se mobilizar. No próximo domingo, uma comitiva
formada por comunicadores, vereadores e ex-secretários de Meio Ambiente
visitará o Rio Mapuá para dialogar com as mais de 3.000 pessoas que vivem no
entorno.
O objetivo é buscar soluções que unam a preservação da
Reserva Extrativista (Resex) com a dignidade humana. "É inadmissível que
venham pessoas de fora dizer o que pode e o que não pode sem trazer uma
perspectiva de sustento digno para o ribeirinho", afirma Nascimentto.
Conclusão
O caso do Rio Mapuá é um reflexo dos desafios enfrentados em todo o Marajó. A fiscalização é necessária para coibir crimes ambientais graves, mas não pode ser feita de costas para a realidade social de quem protege a floresta há gerações. A solução exige a presença do Estado não apenas com o poder de polícia, mas com assistência social, técnicos agrícolas e investimentos reais na produção sustentável.
