BREVES, PA – Nas ruas movimentadas da cidade de Breves, no Arquipélago do Marajó, uma nova figura tem roubado a cena e virado assunto nas redes sociais. Conhecida popularmente como a "Picolezeira Gata", Íris Silva, de 25 anos, quebrou a rotina da cidade ao assumir um posto de trabalho até então dominado quase exclusivamente por homens na região: a venda ambulante de picolés e sorvetes.
Natural de Belém, Íris chegou ao município no final do ano
passado e rapidamente se tornou uma celebridade local. Imagens suas empurrando
o carrinho de sorvete viralizaram em grupos de WhatsApp e no Facebook, com
moradores elogiando tanto a sua beleza quanto a sua disposição para o trabalho.
Vaidade e Profissionalismo
O diferencial de Íris vai além da mercadoria que vende.
Antes de sair de casa pela manhã, ela não abre mão da vaidade. A rotina inclui
uma maquiagem bem feita, batom e um figurino planejado: bermuda, blusa
combinando com a sandália rasteira, boina e bolsa a tiracolo.
Para a população local, a presença de Íris é
"inusitada" e "admirável". Em entrevistas nas ruas,
moradores destacaram que é impossível não notar sua passagem. "O que faz
com que ela seja diferente de uma mulher comum é a sua coragem e criatividade
no seu trabalho", comentou um popular. Outra moradora ressaltou o exemplo
positivo que ela passa: "Ela é uma guerreira... muitas pessoas por aí que
não têm trabalho procuram outro caminho, como roubar ou se prostituir".
Quebrando Barreiras e Aumentando a Renda
Íris relata que, ao iniciar, percebeu o espanto das pessoas,
pois a atividade de "picolezeiro" na cidade era vista como masculina.
"Até agora, eu sou a única mulher que vende picolé [aqui]", afirmou a
vendedora.
A motivação para enfrentar o sol e as ruas vem da família.
Mãe de três filhos e casada, Íris decidiu trabalhar para complementar a renda
do marido. "Sempre fui muito trabalhadora, desde os meus 17 anos... Tenho
três filhos, só ficar com meu esposo [trabalhando] não dá, tenho que trabalhar
também para ajudar", explicou.
A dedicação tem gerado frutos. Segundo seu patrão, a entrada
de Íris na equipe impulsionou os lucros. "Tem dia que ela 'seca' tudo [o
carrinho]", comemorou o empregador, satisfeito com o sucesso de vendas da
funcionária.
Íris Silva segue sua rotina pelas ruas de Breves, provando
que dignidade e estilo podem andar juntos, independentemente da profissão.
Quando questionada se sente vergonha da atividade, sua resposta é enfática:
"Nenhuma. É melhor do que estar fazendo coisa errada. É um trabalho
normal".
Fonte: Baseado em reportagem do canal Marlon TV.
