Famílias ribeirinhas relatam demora de dois anos para instalação de placas solares e sofrem com a falta de energia elétrica e insegurança na zona rural.
Moradores das comunidades ribeirinhas localizadas às margens do Rio Guajará, na divisa entre os municípios de Breves e Curralinho, no Arquipélago do Marajó, estão enfrentando sérios transtornos devido à falta de energia elétrica. Em denúncia feita à imprensa local, as famílias relatam que, mesmo após o cadastramento no programa federal "Luz para Todos", a instalação das placas solares não foi concluída.
A situação de abandono afeta dezenas de famílias que vivem
na escuridão, prejudicando a conservação de alimentos, a segurança e a
qualidade de vida na região.
Demora e Falta de Respostas
Dayane Ferreira, moradora da localidade, explica que o
cadastro das famílias foi realizado há cerca de dois anos. As casas chegaram a
ser numeradas pelas equipes técnicas, mas os equipamentos nunca foram
instalados.
"A gente se sente triste e excluído. Quem vai no Guajará vê casas no claro e a nossa toda no escuro. Nós queremos que alguém dê uma decisão pra gente. O que foi que aconteceu?", desabafa Dayane.
A denúncia aponta que o problema atinge áreas específicas,
como a região conhecida como "Formigal". Enquanto algumas residências
vizinhas já contam com o benefício, outras permanecem isoladas do serviço,
gerando uma sensação de injustiça entre os comunitários.
Impactos no Dia a Dia
A ausência de energia elétrica impõe uma rotina difícil aos
ribeirinhos. Sem refrigeração, a conservação de alimentos se torna um desafio
diário, obrigando as famílias a salgarem a comida para evitar o desperdício.
Além disso, a escuridão traz insegurança e prejuízos
econômicos. A criação de animais, como galinhas, é frequentemente atacada por
morcegos e predadores noturnos, já que não há iluminação para afugentá-los. "O
bicho não aguenta, a gente tem que fechar o galinheiro cedo", relata a
moradora.
Dificuldade de Acesso e Furto de Equipamentos
A localização remota dificulta a busca por soluções. O
deslocamento até a sede dos municípios de Breves ou Curralinho é custoso e
demorado, dependendo de pequenas embarcações ("rabetas") que não
comportam o transporte de todas as famílias para formalizar denúncias na
Defensoria Pública ou na concessionária Equatorial Pará.
O apresentador Marlon, durante a cobertura do caso, também alertou para outro problema grave na região: o furto de placas e baterias.
"A gente tem registrado um alto índice de pessoas sendo vítimas, perdendo suas placas e baterias desse sistema solar. A criminalidade está cada vez mais presente na zona rural", pontuou o comunicador.
A comunidade aguarda um posicionamento urgente da
concessionária de energia responsável pelos dois municípios para regularizar o
fornecimento e garantir o direito básico à luz elétrica.
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Fonte: Marlon TV - Youtube
