Você sofre com cólicas intensas ou dores pélvicas? Descubra como identificar a endometriose e a adenomiose, doenças que afetam milhares de mulheres e podem impactar a fertilidade.
Muitas mulheres convivem diariamente com dores abdominais severas durante o ciclo menstrual, acreditando ser apenas uma "cólica normal". No entanto, esses sintomas podem esconder condições sérias como a endometriose e a adenomiose. No quadro Saúde em Foco, o médico clínico geral Dr. Adriano Frias esclareceu as principais dúvidas sobre essas patologias, suas causas e como tratá-las.
O que é Endometriose e Adenomiose?
Para entender essas doenças, é preciso conhecer a anatomia
do útero, composto por três camadas: o paramétrio (externa), o miométrio
(muscular) e o endométrio (interna). O endométrio é o tecido que descama e gera
a menstruação quando não há gravidez.
Endometriose: Ocorre quando o tecido endometrial cresce fora
do útero, podendo atingir ovários, tubas uterinas, intestinos e, em casos
raros, até áreas como o nariz ou o canal lacrimal.
Adenomiose: É quando esse mesmo tecido cresce dentro da
camada muscular do próprio útero (o miométrio).
Ambas podem ocorrer simultaneamente, causando inflamação e
desconforto extremo.
Sintomas Comuns: Fique Atenta aos Sinais
Os sintomas dessas doenças são variados e, muitas vezes,
debilitantes. O Dr. Adriano destaca os principais sinais de alerta:
Dismenorreia: Cólicas menstruais muito intensas.
Edema Pélvico: Inchaço e sensibilidade na região do "pé
da barriga".
Dispareunia: Dor persistente durante a relação sexual.
Alterações Menstruais: Aumento do fluxo ou duração
prolongada do período.
Infertilidade: A endometriose pode obstruir as tubas
uterinas, dificultando a gestação.
Em casos atípicos de endometriose extrauterina, a mulher
pode até apresentar sangramentos pelo nariz ou lágrimas de sangue durante o
período menstrual, pois esses tecidos externos também respondem aos estímulos
hormonais.
Qual é o Tratamento?
Existem duas abordagens principais, dependendo da gravidade
e do desejo da paciente de engravidar:
Tratamento Clínico: Uso de anti-inflamatórios, analgésicos
e, principalmente, contraceptivos hormonais. O objetivo é interromper a
menstruação para que o tecido atípico atrofie e os sintomas desapareçam.
Tratamento Cirúrgico: Pode envolver a cauterização dos focos
de endometriose ou, em casos terminais e graves onde o útero está muito
comprometido, a histerectomia (retirada do útero).
Faixa Etária e Menopausa
Os sintomas costumam surgir após a primeira menstruação
(menarca), sendo mais frequentes entre os 20 e 30 anos.
A boa notícia é que, ao atingir o climatério (período que precede a menopausa),
a redução hormonal faz com que os sintomas diminuam drasticamente ou
desapareçam por completo.
Dica de Saúde: Se você sente dores que impedem suas atividades diárias, procure um especialista. O diagnóstico precoce é fundamental para garantir qualidade de vida e preservar a fertilidade.
