Sem audiência pública, Câmara de Vereadores aprova projeto que altera a educação inclusiva; famílias temem retrocesso e pedem veto do prefeito.
Um grupo de pais, mães e responsáveis por crianças atípicas realizou um protesto pacífico na manhã desta segunda-feira em frente à Prefeitura Municipal de Breves, no Marajó. A manifestação teve como objetivo pedir o veto a um projeto de lei (PL) recém-aprovado pela Câmara de Vereadores, que trata da política pública de educação especial no município.
A principal queixa dos manifestantes é a falta de diálogo.
Segundo eles, o projeto de origem do Executivo foi votado e aprovado pelo
Legislativo sem a realização de audiências públicas obrigatórias e sem
consultar as famílias e os profissionais da área.
"Queremos ser Ouvidos"
Durante o ato, os pais expressaram preocupação com o
conteúdo do texto aprovado. Muitos afirmam não ter tido acesso oficial ao
documento, baseando-se apenas em versões não assinadas que circulam nas redes
sociais, o que gerou um clima de pânico e incerteza sobre o futuro do
atendimento especializado.
Beto, um dos pais presentes, destacou a necessidade de transparência:
"Estamos aqui reivindicando apenas o direito de ser ouvidos. Pode até ser bom o projeto, mas não ouviram os profissionais da educação, não ouviram as famílias... A lei diz que a sociedade tem que ser escutada. Se for algo para melhorar, vamos construir junto."
A preocupação se estende à manutenção de serviços
essenciais, como o AEE (Atendimento Educacional Especializado) e o suporte nas
escolas regulares. "O meu filho está indo para o ensino médio. Não pode
destruir o que já funciona, tem que manter forte", completou Beto.
Críticas à Câmara de Vereadores
O episódio gerou duras críticas à atuação dos vereadores de
Breves. Em comentário editorial, o apresentador Marlon classificou a aprovação
do projeto sem debate público como uma "falha grotesca" e
"irresponsável".
"Como assim vai votar um projeto que nem a própria população tem acesso à documentação? O pior de tudo é vereador votar e aprovar sem saber o que está votando", disparou o comunicador.
A crítica se estendeu à postura geral do legislativo
municipal, apontado como "despreparado" para discutir pautas técnicas
e orçamentárias importantes, priorizando supostos acordos políticos em
detrimento de políticas públicas eficazes.
O Que Diz a Lei?
Os manifestantes argumentam que a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação (LDB) e outras normativas exigem a participação da comunidade
escolar na formulação de políticas educacionais. Eles solicitam que o prefeito
vete os projetos aprovados e convoque imediatamente uma audiência pública para
discutir as mudanças com transparência.
Até o momento, a Prefeitura de Breves não se manifestou
oficialmente sobre a possibilidade de veto.
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Fonte: Marlon TV - Youtube
