Vítima registrou Boletim de Ocorrência após ser chamada de "cabelo de Bombril"; Faculdade Metropolitana do Marajó abriu apuração interna.
Um caso de injúria racial e calúnia registrado no município de Breves, na Ilha do Marajó, gerou revolta e mobilizou a comunidade acadêmica neste fim de semana. A estudante universitária Sara Maria Alves, do curso de Pedagogia, formalizou denúncia após sofrer ataques racistas em um grupo de mensagens da instituição de ensino superior onde estuda.
O episódio, ocorrido na noite da última sexta-feira,
envolveu comentários pejorativos sobre a aparência e a identidade racial da
jovem, proferidos por uma colega de turma.
"Cabelo de Bombril" e Humilhação Pública
Segundo relatos da vítima, a discussão começou após ela
informar no grupo da turma sobre uma mudança no local de uma atividade
acadêmica. A resposta da agressora veio em forma de insultos direcionados,
chamando o cabelo da estudante de "cabelo de Bombril", além de outros
comentários em tom de deboche.
"Foi suficiente para ela vir no meu privado e começar a mandar um texto me esculachando. Eu printei e mandei no grupo da faculdade para todo mundo ver, onde estava a diretora e os professores. Ela já atacou outras colegas minhas, mas ninguém denunciava", relatou Sara.
A estudante afirma que a diretora da instituição visualizou
as mensagens na manhã seguinte, apagou o conteúdo e restringiu o grupo para que
ninguém mais pudesse enviar mensagens, sem prestar apoio imediato à vítima.
Impacto Psicológico e Crime de Injúria Racial
Abalada psicologicamente, Sara Maria se afastou das
atividades presenciais da faculdade. Ela destacou que conseguiu salvar
("printar") todas as conversas antes que fossem apagadas,
constituindo provas materiais do crime.
Vale lembrar que a Lei 14.532/2023 equipara a injúria racial
ao crime de racismo. A pena prevista é de reclusão de 2 a 5 anos, sem
possibilidade de fiança. O crime configura-se pela ofensa à honra de alguém
valendo-se de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem.
Posicionamento da Instituição
A reportagem procurou a Faculdade Metropolitana do Marajó
(FAMMA), localizada no bairro Cidade Nova, que emitiu uma nota oficial sobre o
caso.
Em comunicado, a instituição afirmou:
"A Faculdade manifesta seu repúdio e profunda preocupação diante das conversas divulgadas... Informa que já iniciou a imediata e rigorosa apuração dos fatos por meio de seus canais internos. A instituição combate veementemente qualquer forma de preconceito e discriminação."
Investigação em Curso
A vítima registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia de
Polícia Civil de Breves. As autoridades agora investigam o caso, analisando as
provas digitais para a devida responsabilização da autora das ofensas.
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Fonte: Marlon TV - Youtube
