Tumulto na Feira do Açaí de Breves (PA) envolve polícia após administração impedir venda para atravessadores. Vendedores denunciam taxas abusivas e restrições, enquanto gestão alega proteção aos batedores locais.
BREVES, MARAJÓ – O clima esquentou na tradicional Feira do Açaí de Breves na manhã desta semana, resultando em uma manifestação que exigiu a intervenção da Polícia Militar. O conflito expôs a tensão crescente entre os produtores/vendedores que chegam das ilhas e a administração do espaço, gerando um debate sobre livre comércio, taxas e o papel dos atravessadores na economia local.
O Estopim da Confusão
O incidente começou por volta das 05h00 da manhã, quando um
produtor vindo da região do Rio Tajapuru – após uma viagem de quatro horas –
tentou vender todo o seu lote de açaí para um único comprador, identificado
como "atravessador".
Segundo relatos, a administração da feira interveio e impediu a transação. "O rapaz chegou e ia comprar todo o açaí. Eu estava medindo para dar a conta certa, mas ele [administrador] disse que eu não podia vender porque era para atravessador", relatou o vendedor, indignado por não conseguir comercializar seu produto livremente após a longa jornada.
As Reivindicações dos Vendedores
A intervenção gerou revolta entre os trabalhadores, que
aproveitaram para denunciar o que consideram abusos por parte da gestão atual.
Entre as principais queixas estão:
Restrição de Venda: A proibição de vender para quem quiser,
sendo forçados a priorizar compradores específicos ou horários determinados.
Cobrança de Taxas: Relatos de cobranças de impostos e taxas
de uso da "pedra" (espaço de venda) até mesmo no período da tarde, o
que, segundo eles, não ocorria anteriormente.
Custo Elevado: Um dos denunciantes chegou a afirmar que paga
valores diários significativos sobre o capital, comparando a cobrança a uma
prática de agiotagem.
"O cara passa a noite inteira viajando, chega aqui e é a maior fuleragem. O cara é obrigado a fazer o que eles querem", desabafou um dos produtores.
O Outro Lado: A Versão da Administração
O administrador da feira, Denis, defendeu as medidas como
necessárias para proteger o mercado local e os batedores de açaí (produtores de
vinho para consumo final). Segundo ele, os atravessadores tentam arrematar os
lotes antes mesmo que o preço do dia seja aberto, prejudicando os comerciantes
menores de Breves.
"A abertura da feira é às 5h. É quando entram os batedores. Se o atravessador chega 5h15 querendo arrematar o lote, ele tira a oportunidade do batedor. A gente está lutando contra isso a favor do batedor", explicou Denis.
A administração alega que a fiscalização visa impedir a
especulação de preços e garantir que o açaí chegue às amassadeiras da cidade,
especialmente em períodos de oscilação na oferta devido à concorrência com as
fábricas de exportação.
Impacto na Economia do Marajó
O caso reflete a complexidade da cadeia produtiva do açaí no
Marajó. De um lado, ribeirinhos que enfrentam perigos noturnos e maresia para
escoar a produção e desejam venda rápida. Do outro, a necessidade de regular o
abastecimento interno da cidade de Breves.
A Polícia Militar esteve no local para mediar o conflito e garantir a ordem, mas o impasse sobre as regras de comercialização promete continuar sendo pauta entre os trabalhadores da feira.
Fonte: Baseado na reportagem do canal Marlon TV
