O delegado Filipe, da Superintendência de Polícia Civil das Ilhas (Sudepol), em Breves, atualizou as informações sobre a morte do pirata Anderson Lobato e admitiu as dificuldades em condenar a reação da vítima, um açaizeiro, diante da extrema violência dos criminosos na região.
A morte de Anderson Lobato, ocorrida durante uma tentativa de assalto a uma embarcação que transportava açaí ("açaizeiro") no Estreito de Breves, levanta um debate crucial sobre a segurança e a autodefesa nos rios do Arquipélago do Marajó.A Polícia Civil de Breves está à frente da
investigação, mas enfrenta desafios logísticos e a falta de colaboração das
vítimas, que seguiram viagem logo após o incidente.
A Reação da Vítima e a Falta de Testemunhas
De acordo com as informações apuradas pela polícia, o
assaltante Anderson Lobato, acompanhado de pelo menos outros dois indivíduos,
tentou abordar uma embarcação em movimento, presumivelmente um açaizeiro.
O tripulante, percebendo a aproximação dos criminosos, teria reagido de forma
imediata.
O delegado Filipe relatou que o açaizeiro "conseguiu
disparar" contra os piratas, atingindo um no braço e Anderson fatalmente.
Apesar do desfecho que impediu o roubo, a investigação
enfrenta um impasse: as vítimas não voltaram para prestar depoimento.
"Não voltaram. Inclusive não chegaram muitas
informações a respeito do açaizeiro, das outras vítimas. Não há informações
acerca da embarcação, de qual era essa embarcação", explicou o delegado.
A falta de testemunhas e informações detalhadas sobre o
barco dificulta o prosseguimento do inquérito, especialmente a busca pelos
outros dois indivíduos envolvidos na ação.
O Dilema da Autodefesa em Face da Extrema Violência
O ponto central da fala do delegado Filipe é a violência
da pirataria no Marajó. Ao ser questionado sobre a recomendação da polícia
de não reagir, ele admitiu a complexidade de dar esse conselho na realidade
local:
"É difícil criticar o açaizeiro... é difícil criticar
porque a gente não possui porte de arma. É difícil criticar porque se trata de
uma realidade social extrema aqui na região do Marajó".
O delegado reforçou que, se o açaizeiro não tivesse reagido,
ele e os tripulantes certamente teriam sofrido consequências gravíssimas,
"muito além da mera consequência patrimonial". Ele citou o modus
operandi violento desses criminosos, que inclui:
- Latrocínio
(roubo seguido de morte).
- Estupro,
como ocorreu na ação contra a família de americanos em 2018.
"Eu, como a segurança pública, me sinto incapaz de
chegar para uma pessoa e dizer para não se defender em uma situação
dessa", concluiu o delegado, enfatizando a realidade complicada da região.
O Passado de Anderson e o Desafio da Segurança nos Rios
Anderson Lobato era conhecido das autoridades por
envolvimento em diversas ações criminosas, incluindo o assalto a uma balsa em
2018 que resultou no sequestro de uma família americana e teve repercussão
internacional.
A Polícia Civil continua as diligências na tentativa
de identificar e capturar os demais envolvidos. O delegado ressaltou que a
vasta extensão dos rios, que servem como "grandes estradas de água"
no Marajó, carece de maior fiscalização e presença policial. O trabalho
investigativo prossegue, dependendo agora da obtenção de novas informações da
população para ser eficaz.
Fonte: Entrevista do delegado Filipe, da Sudepol, ao
canal Marlon TV. Polícia fala sobre morte de pirata
